Por que participar de escoteiros

[TLDR] Como o trabalho voluntário ajudou a me desenvolver e vencer a timidez

2020.10.29 18:31 joaomgsa [TLDR] Como o trabalho voluntário ajudou a me desenvolver e vencer a timidez

Este post não tem intenção de fazer nenhuma pregação religiosa ou algo do tipo. Apenas ajudar alguém que está em uma situação semelhante a minha
Para começo de história eu sempre fui um cara bem tímido bem típico, aquele que não conversa muito além do bom dia e como vai o tempo e achava que o que passasse disso era quase uma perda de tempo. Sempre dava foco apenas as atividades que tinha que fazer e nada além disso nunca tive um instagram com o feed organizado muito menos postando fotos toda semana, na verdade cada Stories postado é uma "batalha pessoal"
E com o passar do tempo o homem vai diminuindo o ciclo de amizades ao trabalho e a faculdade e o aumento das responsabilidades, relacionamentos, família, trabalho esse ciclo de amizade fica cada vez menor.
Para aumentar esse abismo os meus amigos mais próximos da igreja/faculdade já não moravam tão perto de mim.
Então somando o curso natural da vida e minha dificuldade em me "arriscar" em conhecer e principalmente conversar com as pessoas fora do estritamente necessário
Fui criando uma tempestade ideal para a tão temida "solidão".
Fora toda essa situação passei por um momento muito ruim na minha faculdade/estágio onde ficou bem claro para mim que não nasci para ser um engenheiro mecânico.
Nesse momento estava com indefinições em relação a minha carreira, minha faculdade que até aquele momento acreditava ser a melhor decisão da minha vida estava indo por agua abaixo.
Um pouco antes desse momento de aparente total caos tinha voltado a frequentar a igreja e seguir os preceitos da minha religião. Nesse momento senti que me reconectei com alguns valores que havia deixado.
Quando adolescente sempre participei das atividades da igreja fora dos tradicionais cultos de domingo e hoje percebo que foi ali que conseguia ter um local onde me sentia a vontade e tinha um círculo de amizade porém estava frequentando uma nova igreja onde gostava da mensagem que era apresentada achava bem ruim não ter contato com as pessoas ali.
Foi então que resolvi participar de um Grupo que participei por volta dos 9 aos 13 anos, os Embaixadores do Rei, uma organização inspirada nos Escoteiros porém focada em estudos religiosos e desenvolvimento da vida cristã.
Nas primeiras reuniões participei somente como observador e orientador dos meninos, lembrava o quanto eram divertidas as atividades em grupos.
Depois de alguns meses só observando as reuniões, fui convidado a conduzir uma aula para os meninos e trazer um tema que fosse interessante. Foi primeiro um choque mas me preparei bastante, ou pelo menos achava isso na época, resumindo fiz bastante pesquisa na internet e tinha um ppt pronto.
Puro engano, foi um terror os meninos deram atenção no inicio porque trouxe uma novidade, uma apresentação no projetor, porém logo depois ficaram dispersos e eu cada vez mais nervoso pela falta de experiência mas no fim sobrevivi.
Com o passar do tempo fui descobrindo que os meninos percebiam minha timidez e falta de experiência nos discurso mas também percebi o quanto eles me ajudavam passando confiança com frases do tipo: Fica tranquilo tio tá melhorando e os mais velhos ajudavam a conter a bagunça dos mais novos.
Nesse meio tempo fui tocar a expansão da operação de um restaurante de um amigo onde ganhei a cargo de "Gerente" que na verdade era nada mais que um garçom com mais responsabilidades na realização da expansão. Foi um momento empreendedor por definição, trabalhava mais de 12h/dia, continuava como garçom, tocava a reforma junto com os pedreiros, fazendo entrevistas e treinando e liderando a nova equipe e buscando novos fornecedores/parceiros para expansão.
Aquele momento se vira nos 30 real onde diferente de trabalhar em uma empresa não existe a TI pra dar suporte e você se torna quem tem que trazer todas as soluções das mais simples como sair correndo para comprar óleo no meio do dia a alguém da sua equipe se separar e sair de casa com dois filhos sem ter onde morar.
Porém no fim do ano o líder da organização informou que ia se afastar pois estava há 8 anos a frente do trabalho sendo os últimos 3 sozinho.
Foi um belo susto mas também um gostinho de desafio e naquele momento estava dividindo as atividades com o Pedro, um cara que tem o espírito da organização e já tinha a experiência de liderança em uma outra igreja. Enfim nos reunimos, fizemos bastante planejamento e montamos uma grade de conhecimentos e atividades que desenvolveríamos durante o ano.
Mas ainda sim estávamos bastante devido a mudança da liderança qual seria a recepção dos pais a dois Jovens que ainda não tinham a sua própria família para liderar os meninos
Tomamos coragem e convidamos os pais para uma reunião onde nos apresentávamos, a proposta do desenvolvimento das atividades e como seria o relacionamento com os responsáveis. Como por um milagre fomos acolhidos pelos pais de uma forma surpreendente dobrando o número de meninos presentes nas reuniões.
Foi um início desafiador em relação as atividades novas que gostaríamos apresentar e também no relacionamento com os meninos sem um líder que tem as características de um Pai o onde desenvolvemos uma comunicação mais horizontal com os meninos sem abandonar o modelo de hierarquia da organização.
No desenvolver desses três anos aprendi bastante sobre alguns pontos:
Aviso - Estou somente relatando apenas as minhas experiências e descobertas sem nenhuma intenção de inventar a roda, apenas quero mostrar um caminho a quem passa por uma situação parecida com a minha
Comunicação: Todas as situações em que eu tive que apresentar ou explicar algo ficou infinitamente mais fácil quando estava preparado para o assunto.
Relacionamento: Apesar de ser mais tímido sempre me esforcei para me manter perto da equipe no trabalho e dos meninos apesar de não ser tão profundo e sempre fui surpreendido positivamente pelas pessoas nos momentos de dificuldade o que gerou grande aprendizado para mim em relação a liderança.
Adaptação: Com o passar do tempo as pessoas vão se acostumar ao seu jeito, isso não quer dizer que você não deva se adequar as ocasiões, mas não de uma atenção a exagerada a sua maneira mais introspectiva e fique a vontade para passar um pouco da sua personalidade nas situações
Regularidade: Mais difícil que trazer uma atividade/solução nova é manter a regularidade das atividades sem deixar algo mecanizado ou até mesmo repetitivo.
Vão haver tropeções feios no caminho e momentos em que você vai sentir um nó na garganta como se não houvesse solução, pense como o Harvey Specter sempre tem um jeito, e depois que passar reflita esses momentos fazem parte do aprendizado fazendo você criar casca.
Bom já fazem 3 anos em que resolvi fazer algo diferente e ganhei amizades inesperadas e a certeza que tenho é que foi muito melhor ter começado
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